quarta-feira, 22 de abril de 2009

André Araujo



André Vidal de Araújo (André Araújo), nasceu em Goiana, (PE) no dia 15 de outubro de 1898.

Filho do professor e poliglota Francisco Pedro d' Araújo Filho e de Francelina Barbosa de Araújo

Estudou em Manaus, cursando o primário nos colégios Ateneu Amazonense, Santana Nery e Rayol, e o secundário no Ginásio Amazonense Pedro II e na Escola de Comércio Solon de Lucena. Formou-se pela Faculdade de Direito do Amazonas (1921), tendo sido orador da turma, estudando mais tarde pedagogia, psicologia e filosofia inclusive com o professor Myra y Lopez.

Em outubro de 1950 elegeu-se deputado federal pelo Amazonas, na legenda da Aliança Frente Libertadora, constituída pelo Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Democrata Cristão (PDC), ao qual era filiado. Empossado em 1° de fevereiro de 1951, tornou-se em março de 1954 vice-lider do PDC na Câmara dos Deputados. Concluiu o mandato em 31 de janeiro de 1955, não mais retornando à Câmara.

Durante sua carreira profissional foi promotor de justiça interino em Urucará (AM), nomeado em 15 de fevereiro de 1919; promotor efetivo em Boa Vista do Rio Branco, nomeado a 19 de julho do mesmo ano, atual Boa Vista, capital do Estado de Roraima, primeiro suplente de juiz-preparador em São Paulo de Olivença (AM), em 29 de abril de 1922; juiz preparador em Carauari (AM), em 20 de fevereiro de 1924; promotor público da Comarca de Maués, em 14 de abril de 1925, sendo removido no ano seguinte para Manacapuru; juiz de direito em Moura(AM), então Comarca do Rio Negro, em 8 de março de 1926; juiz em Coari (AM) em 17 de outubro de 1927; e em Manacapuru (AM), diretor geral da Instrução Pública (1934) ao tempo da interventoria do capitão Nelson de Mello, procurador geral do Estado, desembargador empossado em 9 de agosto de 1944, e presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas em 1946. Foi juiz de menores em Manaus, cargo no qual fez escola e tradição; Secretário de Estado da Educação e Cultura, no governo Arthur Reis (1965), presidente do Conselho Estadual de Educação (1964/1967). Lecionou direito, filosofia, sociologia e pedagogia em diversos colégios em Manaus, inclusive no Seminário São José e na Faculdade de Filosofia. Fundou e dirigiu o Instituto Montessoriano Álvaro Maia, a Escola de Serviço Social do Amazonas, o Laboratório Pedagógico de Cultura Infantil Araújo Filho e a Oficina do Serviço Social do Amazonas e foi membro do Conselho da Comissão de Desenvolvimento do Amazonas - CODEAMA(1965). Organizou ainda a Cruz Vermelha do Amazonas, o Conselho de Assistência e Proteção aos Menores, a Creche Circulista Menino Jesus, o Instituto Melo Mattos para meninos abandonados, o Instituto Maria Madalena, para meninas abandonadas, a Escola José do Patrocínio, para menores jomaleiros, o Serviço Social de Mães Solteiras, e 72 escolas de alfabetização no interior do Amazonas.

Como jornalista colaborou no Jornal do Comércio, na União Portuguesa, em A Reação, O Norte, e nas revistas Redenção, Cabocla, de Educação, Amazônida, da Legião Brasileira de Assistência, do Instituto Histórico, de Serviço Social de Manaus, e na Rotary Brasileiro. Pertenceu a União Brasileira de Escritores, secção do Amazonas, integrando a sua segunda diretoria em 1966, ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas do qual foi presidente no período de 1973 e 1974 com mandato até 1976, assumindo posição de completa transformação da entidade, sendo substituído por Mário Jorge Couto Lopes, e à Academia Amazonense de Letras, onde sucedeu seu pai, na cadeira patrocinada por Martins Júnior, e da qual foi presidente tendo ainda sido membro e presidente da Sociedade Amazonense de Folclore e da Comissão Nacional de Folclore.

Integrou ainda a Associação Americana de Escolas de Trabalho Social, a Universidade de Porto Rico, a Associação Internacional de Juiz de Menores, da Hungria, a "the American Academy of Political and Social Sciense", da Filadélfia e da Columbia, o Instituto Humanista de Paris, a União Católica Internacional do Serviço Social, de Bruxelas.

Religioso estremado, integrou a Ordem Terceira de São Francisco em Manaus, pertenceu à Legião de Maria e vivenciou intensamente a paróquia de São Sebastião.

Casou-se com Milburges Bezerra de Araújo, com quem teve seis filhos: Regina Coelli Araújo de Carvalho que foi casada com o jornalista Afonso Liberato de Carvalho, Rita de Cássia de Araujo Calderaro, professsora e empresária, foi casada com o jornalista Umberto Calderaro Filho, fundador da Rede Calderaro de Comunicação; Aristócles Platão, médico e Conselheiro aposentado do Tribunal de Contas dos Municípios, casado com a professora Virgínia Mello de Araújo; Thereza de Araújo Cabral, casada com o dr Silvério Nery Cabral, juiz federal; Marco Aurélio, advogado, procurador e Conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado, casado com a professora Maria Amélia de Mello Araújo e João Bosco, professor e psicólogo, casado com a professora Elza Ramos de Araújo.

Escreveu: Proteção a Infância e a Juventude de Hoje (1940); Organização de Assistência Social e Serviço Social do Amazonas (1948); Discurso como orador da Turma de bacharéis em Direito (1921); Pedagogia social de combate ao alcoolismo (l936); A função Docente do Estado Novo (1938); Guia para Comissários do Juizado de Menores (1936); Nova Organização da Justiça de Menores (1936); O Preventório como Meio de Assistência Social (1939); A Ociosidade e o Furto na Predelinquência de Menores (1936); A prol da Infância (1944); Sentido Social do Preventório (1947); Bases Sociais da Pedagogia Curativa (1951); Ensaio de Teologia Política para Transformação do Mundo (1952); Introdução a Sociologia da Amazônia (1956); Estudos de Antropologia e Pedagogia Sociais (1966); Predelinquência Infantil em Manaus (1966); Um capítulo da Vida de Francisco Pedro de Araújo Filho; Sociologia de Manaus, aspectos de sua aculturação ( l 973).

Condecorações: Cruz de Bronze da Cruz Vermelha Brasileira, medalha D. Pedro II, do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (1973), Medalha Plácido de Castro, Ministério da Educação.

Faleceu em Manaus, em 11 de março de 1975.